27 julho 2015

SOP: uma limitação real à perda de peso

Para muitas pacientes, não é nada esclarecedor quando elas são informadas que tem a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). A começar pelo nome, pois a Síndrome dos Ovários Policísticos pode ocorrer sem que o exame de ultra-sonografia revele cistos nos ovários e, muitas vezes, temos que excluir várias outras doenças que tem em comum a produção excessiva de hormônios masculinos pela mulher. Além disso, 20% das mulheres normais podem apresentar ovários policísticos, sem nenhuma manifestação clínica ou alteração hormonal, não sendo caracterizadas como portadoras da Síndrome dos Ovários Policísticos.



A difícil tarefa de tratar a SOP

O tratamento da SOP depende das alterações apresentadas pelas pacientes, do grau de intensidade de suas alterações e dos objetivos a que elas se propõem. No caso das adolescentes recém-diagnosticadas, é muito importante a correção das alterações menstruais e a normalização dos hormônios masculinos, com a conseqüente melhora estética que ela causa. Nesses casos, muitas vezes, a utilização de pílulas anticoncepcionais já resolve a maioria dos problemas.

Para as pacientes com anovulação crônica e que desejam engravidar, a melhor forma de tratamento é a indução das ovulações. "Para todas estas mulheres, a perda de peso é fundamental para a volta à normalidade ginecológica, endocrinológica e estética", observa a médica.

Uma obesidade de difícil tratamento

Apesar da obesidade não entrar nos critérios diagnósticos da SOP, ela geralmente é a regra. A grande maioria das pacientes tem sobrepeso, obesidade ou uma grande dificuldade de manter o peso ideal. "Além disso, a SOP se associa a um tipo especial de obesidade, aquela que se acumula no tronco, principalmente no abdome, mudando radicalmente as proporções corporais ideais da menina-moça, que, perdendo a cintura e ganhando menos peso em membros, muitas vezes, têm pernas desproporcionalmente magras para o tronco gordinho. É a obesidade visceral, que traduz o excesso de insulina que acompanha essas pacientes e, muitas vezes, dificulta sobremaneira a perda de peso", destaca a médica.

O excesso de insulina no sangue é a marca de uma obesidade resistente à perda de peso, pois a insulina é um hormônio anabólico, que favorece sempre o estoque de calorias, em detrimento da queima. "Logo, todas as formas de se reduzir a produção de insulina são válidas, mas a mais importante é a melhora da sensibilidade à ação do hormônio", diz a endocrinologista Ellen Paiva.

Sempre que temos dificuldade em responder ao efeito de um hormônio ou que somos resistentes a ele, a glândula tende a produzir quantidades hormonais cada vez maiores e isso ocorre também com a insulina, nos casos de SOP. "Por outro lado, assim que possibilitamos uma maior eficácia do hormônio, ele passa a ser produzido em menor quantidade e seus níveis sangüíneos caem. Isso pode ser conseguido com atividade física, dieta adequada, perda de peso e alguns medicamentos", defende a médica.

"Além do benefício estético, a perda de peso pode influenciar no ciclo menstrual, na ovulação e na queda dos hormônios masculinos, com a conseqüente melhora das alterações estéticas tão desagradáveis para essas pacientes", destaca a médica. Isso também pode ser observado em mulheres obesas normais, ou seja, que não têm SOP. Muitas delas têm irregularidades menstruais, excesso de pêlos e acne, muitas não têm ovulação, unicamente por causa da obesidade. "Nesses casos, a perda de peso consegue reverter todo o quadro, revelando assim, mais uma conseqüência da obesidade", conclui a endocrinologista Ellen Simone Paiva.

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